{"id":7864,"date":"2021-01-13T17:29:22","date_gmt":"2021-01-13T20:29:22","guid":{"rendered":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/?p=7864"},"modified":"2021-01-13T17:29:22","modified_gmt":"2021-01-13T20:29:22","slug":"percentual-de-endividados-recua-em-dezembro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/percentual-de-endividados-recua-em-dezembro\/","title":{"rendered":"Percentual de endividados recua em dezembro"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por Rafael Ramos, economista da Fecom\u00e9rcio-PE <\/em><\/strong><\/p>\n<p>O percentual de endividados, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimpl\u00eancia do Consumidor (PEIC) pernambucano, mais uma vez mostra movimento na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria do nacional e recua em dezembro, ap\u00f3s duas altas consecutivas. O percentual de fam\u00edlias endividadas atingiu os 76,7%, ante 77,4% do m\u00eas de novembro.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que o movimento de queda n\u00e3o era esperado, visto que o \u00faltimo m\u00eas do ano traz incentivos para um maior n\u00edvel de consumo, devido \u00e0 comemora\u00e7\u00e3o do Natal e do Ano Novo, al\u00e9m de coincidir com o pagamento da segunda parcela do d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio. Apesar desta queda mensal, este \u00e9 o maior percentual de endividados desde 2010 quando o indicador atingiu 79,8%.<\/p>\n<p>Vale destacar tamb\u00e9m que a pesquisa de sondagem de opini\u00e3o, realizada pelo Instituto Fecom\u00e9rcio, apontou crescimento na pretens\u00e3o de comemorar as \u00faltimas festividades do ano quando comparado com as pesquisas anteriores, como a Black Friday e a do Dia das Crian\u00e7as de 2020, mas a maioria dos pernambucanos respondeu que comemoraria de uma maneira mais barata, em casa com a fam\u00edlia, e pagando \u00e0 vista, em dinheiro ou no d\u00e9bito, o que pode ter favorecido a queda do endividamento.<\/p>\n<p>O Natal, principal data do calend\u00e1rio de consumo dos brasileiros e a mais importante para o varejo em termos de faturamento, contribuiu de maneira significativa para que a queda do n\u00famero de endividados n\u00e3o fosse maior, visto que, no per\u00edodo, existe um aumento tradicional do consumo e, consequentemente, da manuten\u00e7\u00e3o de parte dos endividados. A data carrega um apelo emocional forte, o que acaba contribuindo para um maior n\u00edvel de compras da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A possibilidade de uma nova onda de infec\u00e7\u00e3o de covid-19 tamb\u00e9m pode ter contribu\u00eddo para que o endividamento ca\u00edsse, visto que o cen\u00e1rio acaba elevando o comportamento conservador das fam\u00edlias e freando parte do consumo, principalmente das compras financiadas, j\u00e1 que as incertezas para a economia no curto e m\u00e9dio prazo voltam a se elevar.<\/p>\n<p>Outro ponto importante a ser refor\u00e7ado na queda do endividamento \u00e9 o pagamento da segunda parcela do 13\u00ba sal\u00e1rio, que pode ter sido usada por parcela relevante dos que recebem o benef\u00edcio para abater d\u00edvidas. \u00c9 importante lembrar que o n\u00edvel de consumo subiu, assim como o endividamento em novembro, per\u00edodo do pagamento da primeira parcela para grande parte das pessoas. J\u00e1 a segunda parcela pode ter sido usada com mais cautela, voltada a pagar d\u00edvidas para um in\u00edcio de ano menos restrito em termos de or\u00e7amento familiar.<\/p>\n<p>A possibilidade do fim do aux\u00edlio emergencial tamb\u00e9m contribuiu para o movimento de queda do endividamento, visto que aumentou o n\u00e3o recebimento do recurso e aumentar\u00e1, a partir de janeiro, a restri\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria das fam\u00edlias, o que acaba retirando os incentivos do consumo financiando por cr\u00e9dito. \u00c9 importante lembrar que o programa injetou mais de R$ 10,7 bilh\u00f5es na economia pernambucana entre abril e outubro de 2020, o que possibilitou a manuten\u00e7\u00e3o do consumo das fam\u00edlias, contribuiu para amenizar a queda da massa salarial e segurou parte da confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o, principalmente daqueles que estavam alocados na informalidade dos que estavam em vulnerabilidade social.<\/p>\n<p>O Estado de Pernambuco foi o quinto que mais recebeu recursos do programa, atr\u00e1s apenas de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro, refletindo o tamanho da import\u00e2ncia do projeto para a economia pernambucana durante os meses de restri\u00e7\u00f5es mais severas.<\/p>\n<p>O mercado de trabalho tamb\u00e9m \u00e9 um dos vetores de redu\u00e7\u00e3o do endividamento, visto que o elevado n\u00edvel de desemprego j\u00e1 cria restri\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas. Al\u00e9m disso, a sazonalidade de maiores n\u00edveis de demiss\u00e3o, no in\u00edcio do ano, devido ao fim de contratos tempor\u00e1rios, reestrutura\u00e7\u00e3o de equipes e final de safra de produtos como a cana-de-a\u00e7\u00facar, tamb\u00e9m atua como redutor de incentivos. Um cen\u00e1rio mais adverso \u00e0 frente e a possibilidade de n\u00e3o estar empregados e sem aux\u00edlios dados pelo governo podem ter contribu\u00eddo para parte das fam\u00edlias focarem na redu\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Em n\u00fameros, o percentual de 76,7% equivale a 398.820 fam\u00edlias endividadas, redu\u00e7\u00e3o de 3.142 lares em um m\u00eas. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2019, houve uma alta de 20.096 fam\u00edlias. As fam\u00edlias que possuem contas em atraso atingiram os 28,0%, queda em rela\u00e7\u00e3o a novembro e quando comparado a novembro do ano anterior, que registraram percentuais de 29,8% e 29,4%, respectivamente. O movimento \u00e9 positivo, pois o percentual de fam\u00edlias nesta situa\u00e7\u00e3o recuou pela quarta vez consecutiva, o que comprova que parte das fam\u00edlias se encontra com comportamento mais conservador e vem trabalhando em um menor ritmo de consumo e de ajuste em suas finan\u00e7as. Atualmente, no estado, 144.090 fam\u00edlias est\u00e3o com alguma conta em atraso.<\/p>\n<p>J\u00e1 a parcela da popula\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica, que \u00e9 aquela que informa n\u00e3o ter mais condi\u00e7\u00f5es de pagar as suas d\u00edvidas, mostrou percentual de 11,3%, o que corresponde a 58.085 mil fam\u00edlias inadimplentes. E, como no grupo anterior, este grupo apresentou a segunda queda consecutiva no n\u00famero de fam\u00edlias nesta situa\u00e7\u00e3o, com queda mensal de 6.845 lares. J\u00e1 na compara\u00e7\u00e3o anual, o percentual de fam\u00edlias inadimplentes mostrou leve alta e teve aumento de 539 lares.<\/p>\n<p>Quando se analisa o resultado por tipo de d\u00edvida, verifica-se que o tipo mais apontado continua sendo o cart\u00e3o de cr\u00e9dito, atingindo 95,1%, apresentando crescimento quando comparado a novembro, onde o percentual era de 93,7%, seguido pelo endividamento com carn\u00eas, que representa 22,1%, ante 27,2% do m\u00eas anterior, o que reflete uma desacelera\u00e7\u00e3o do consumo daqueles que est\u00e3o sem acessar cr\u00e9ditos mais baratos como o cart\u00e3o.\u00a0 A maioria das fam\u00edlias endividadas (55,7%) informa tamb\u00e9m que as d\u00edvidas comprometem entre 11% e 50% da renda &#8211; o comprometimento m\u00e9dio em dezembro atingiu 28,8% da renda.<\/p>\n<p>Para o m\u00eas de janeiro, espera-se um retorno da eleva\u00e7\u00e3o do endividamento, visto que o m\u00eas apresenta maiores restri\u00e7\u00f5es do or\u00e7amento, como o pagamento de impostos, reajustes dos servi\u00e7os, compra de material escolar, al\u00e9m de uma fatura j\u00e1 elevada do consumo de final de ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rafael Ramos, economista da Fecom\u00e9rcio-PE O percentual de endividados, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimpl\u00eancia do Consumidor (PEIC) pernambucano, mais uma vez mostra movimento na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria do nacional e recua em dezembro, ap\u00f3s duas altas consecutivas. 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