{"id":5081,"date":"2018-04-09T11:42:42","date_gmt":"2018-04-09T14:42:42","guid":{"rendered":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/?p=5081"},"modified":"2018-04-09T11:42:42","modified_gmt":"2018-04-09T14:42:42","slug":"mercado-perto-de-casa-e-no-precinho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/mercado-perto-de-casa-e-no-precinho\/","title":{"rendered":"Mercado: perto de casa e no precinho"},"content":{"rendered":"<p><em>Apesar da concorr\u00eancia com grandes redes de supermercado, mercadinhos e vendas de bairro continuam tendo p\u00fablico cativo, principalmente pela facilidade de acesso e pre\u00e7os atraentes<\/em><\/p>\n<p>Por Mariana Mesquita<\/p>\n<p>A sala da casa de Le\u00f4nidas Souza Carvalho, de 53 anos (que apesar do nome masculino, escolhido pela av\u00f3 em homenagem a um tio que havia falecido, \u00e9 mulher e mais conhecida como Dona Leo), h\u00e1 28 anos \u00e9 repleta de produtos para servir aos clientes: biscoito, \u00f3leo, \u00e1gua sanit\u00e1ria, sab\u00e3o em p\u00f3, sacol\u00e9 caseiro, f\u00f3sforo, ovos&#8230; A maioria, produtos \u201cde emerg\u00eancia\u201d, que as pessoas procuram com pressa e sem querer enfrentar as filas longas dos diversos supermercados de Casa Forte, onde a vendinha tem p\u00fablico cativo. J\u00e1 o G Mais, loja de Fernando Campos, de 51 anos, funciona na Avenida Norte, na fronteira entre a Tamarineira e a Mangabeira e tem cara e jeito de supermercado, mas segue com peculiaridades de um neg\u00f3cio de fam\u00edlia: fecha na hora do almo\u00e7o e tem caderneta de fiado. Os dois comerciantes s\u00e3o bons exemplos de estabelecimentos de bairro, aqueles que v\u00e3o na contram\u00e3o dos grandes conglomerados e possuem um p\u00fablico que atravessa as gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como entender a l\u00f3gica que faz esse tipo de empreendimento prosseguir, se a tend\u00eancia dentro do capitalismo \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de fus\u00f5es e oligop\u00f3lios? Para o economista do Instituto Fecom\u00e9rcio, Rafael Ramos, os mercadinhos, vendinhas, padarias e demais lojinhas de bairro t\u00eam uma vantagem inimit\u00e1vel, que \u00e9 a proximidade (tanto f\u00edsica, como no atendimento em si). \u201cEles fidelizam as pessoas, geram economia de tempo e dinheiro no deslocamento. T\u00eam menos filas tamb\u00e9m, e a resolu\u00e7\u00e3o de problemas costuma ser mais r\u00e1pida, porque geralmente \u00e9 o pr\u00f3prio dono quem est\u00e1 \u00e0 frente do neg\u00f3cio, e ele tem mais empenho de manter o cliente do que um eventual gestor\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Entre as \u00f3bvias desvantagens, est\u00e3o a menor variedade de produtos e marcas (bastante vis\u00edvel no mix enxuto organizado nas prateleiras de Leo) e a dificuldade de oferecer um pre\u00e7o competitivo, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes redes, que compram material nos grandes atacadistas (problema que Fernando tenta vencer se aliando a outros companheiros na mesma situa\u00e7\u00e3o. O G Mais integra uma associa\u00e7\u00e3o com outros 16 mercadinhos e, dessa forma, vem conseguindo ampliar seu poder de barganha. Ainda assim, e apesar da crise econ\u00f4mica que vem afetando o com\u00e9rcio como um todo, eles seguem firmes e fortes. Leo est\u00e1 diversificando a \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o e abriu parceria com uma vizinha, que aos fins de semana produz sarapatel, feijoada, sururu e outros quitutes, vendidos no local ou em marmitas por pre\u00e7os que v\u00e3o de R$ 5 a R$ 50. \u201cEla entra com a comida e eu com a bebida, e o movimento aumentou bastante. Um dia quem sabe transformo o ponto num restaurante?\u201d, sonha ela. J\u00e1 Fernando planeja reformar o espa\u00e7o e abrir vagas para estacionamento (a falta delas \u00e9 uma das maiores queixas dos clientes). \u201cSou administrador de empresas e fa\u00e7o tudo de forma calculada e organizada, com muita cautela\u201d, detalha.<\/p>\n<p><strong>Quase tr\u00eas d\u00e9cadas de hist\u00f3ria<\/strong><br \/>\nLeo abriu sua vendinha quando ainda era rec\u00e9m-casada. O neg\u00f3cio nasceu junto com as filhas Cec\u00edlia, de 28 anos, e Cibele, de 26, hoje formadas em Direito e Arquitetura. As meninas passaram muitas tardes no balc\u00e3o, auxiliando a m\u00e3e. \u201c\u00c9 uma empresa familiar, al\u00e9m de n\u00f3s e do meu marido, meu irm\u00e3o e meu cunhado tamb\u00e9m j\u00e1 trabalharam aqui\u201d, relembra. \u201cN\u00e3o vendemos muito, mas d\u00e1 para sobreviver e levar a vida\u201d. Al\u00e9m de Cibele e Cec\u00edlia, Leo v\u00ea as crian\u00e7as das redondezas crescendo e se tornarem, elas mesmas, clientes. Leo atende a todos com a mesma alegria. \u201cA vizinhan\u00e7a \u00e9 \u00f3tima, s\u00e3o meus amigos do dia a dia\u201d, sorri.<\/p>\n<p>Se as filhas de Leo n\u00e3o querem seguir o caminho dos pais, o filho de Fernando, Jo\u00e3o Victor, de 17 anos, j\u00e1 come\u00e7ou a cursar administra\u00e7\u00e3o de empresas. \u201c\u00c9 preciso se capacitar sempre, e, infelizmente, nosso ramo nem sempre preza pela qualifica\u00e7\u00e3o. Quem vai montar um posto de gasolina n\u00e3o improvisa, n\u00e3o monta uma barraca. Mas qualquer um inventa de p\u00f4r uma vendinha, come\u00e7ar um mercadinho. E depois que cresce um pouco, vai quebrar com facilidade, pois tem problemas na hora de pagar um contador ou lidar com as obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas dos funcion\u00e1rios\u201d, analisa Fernando.<\/p>\n<p>Ele comprou a loja, ent\u00e3o conhecida como \u201cbarraca de seu Lindolfo\u201d, em 1994. \u201cEla vendia feij\u00e3o a granel e \u00f3leo a retalho\u201d, relembra. A loja j\u00e1 foi a granja Virgem da Concei\u00e7\u00e3o, virou o Mercadinho Virgem da Concei\u00e7\u00e3o e agora se chama G Mais. \u201cFa\u00e7o cursos pelo Sebrae h\u00e1 mais de 18 anos e me preocupo muito com a quest\u00e3o do layout, da organiza\u00e7\u00e3o, do atendimento ao cliente. Hoje meu neg\u00f3cio \u00e9 intermedi\u00e1rio. N\u00e3o sou pequeno nem grande\u201d, resume. Fernando trata com carinho do maior patrim\u00f4nio que conquistou ao longo do tempo: os clientes.<\/p>\n<p>Ele explica que tem uma caderneta de fiado, ainda que anacr\u00f4nica, pode ser um bom neg\u00f3cio. \u201cTodo com\u00e9rcio faz fiado, a diferen\u00e7a \u00e9 que o cart\u00e3o tem controle legal. Eu fa\u00e7o, porque o fiado fideliza a pessoa d\u00e1 prefer\u00eancia a comprar comigo. Antigamente, usava muito cheque. Depois fiz uma filtragem e criei a caderneta para alguns clientes antigos, de confian\u00e7a. Fiz as contas e descobri que, quando pago as maquinetas e as taxas dos cart\u00f5es, o valor sai muito mais caro do que o eventual calote que recebo. Agora, n\u00e3o deixo solto. Meu fiado tem um cr\u00e9dito limitado, \u00e9 que nem cart\u00e3o\u201d, relata.<\/p>\n<p><strong>Empresas s\u00e3o fator de desenvolvimento local<\/strong><br \/>\nTanto Leo como Fernando funcionam na Zona Norte do Recife, regi\u00e3o onde os empreendimentos do g\u00eanero ainda s\u00e3o uma tradi\u00e7\u00e3o bastante frequente. Outros dois bons exemplos de mercearias que se diversificaram s\u00e3o a venda de Seu Vital, no Po\u00e7o da Panela, e a de seu Arthur, na rua da Harmonia, em Casa Amarela. Ambos s\u00e3o bastante procurados por quem est\u00e1 em busca de cerveja e tira-gosto. E os dois s\u00e3o conhecidos pela rigidez com hor\u00e1rio e bom comportamento de seus frequentadores.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia, por\u00e9m, n\u00e3o se restringe a essa \u00e1rea do Recife: em todos os bairros, especialmente os mais populares, \u00e9 poss\u00edvel encontrar pequenos empreendedores do g\u00eanero. Comprar a eles, segundo Rafael Ramos, \u00e9 importante. \u201cConsumir nesses estabelecimentos significa investir na \u00e1rea onde voc\u00ea mora. Os pequenos agem localmente, ent\u00e3o o emprego, a renda e o desenvolvimento v\u00e3o se concentrar ali mesmo no bairro, dinamizando o crescimento da regi\u00e3o e \u00e0s vezes criando polos de produ\u00e7\u00e3o e de consumo\u201d, explica o economista. Isso n\u00e3o acontece, por exemplo, quando se compra numa rede de grande porte: \u201cnesse caso, pode haver fuga de renda, j\u00e1 que os produtos e at\u00e9 os funcion\u00e1rios v\u00eam de outros bairros e outras cidades. A\u00ed, o desenvolvimento se pulveriza para outras regi\u00f5es\u201d, destaca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar da concorr\u00eancia com grandes redes de supermercado, mercadinhos e vendas de bairro continuam tendo p\u00fablico cativo, principalmente pela facilidade de acesso e pre\u00e7os atraentes Por Mariana Mesquita A sala da casa de Le\u00f4nidas Souza Carvalho, de 53 anos (que apesar do nome masculino, escolhido pela av\u00f3 em homenagem a um tio que havia falecido,<br \/><a href=\"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/mercado-perto-de-casa-e-no-precinho\/\" class=\"more\">Read more<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5085,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5081"}],"collection":[{"href":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5081"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5081\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5087,"href":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5081\/revisions\/5087"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5085"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}