{"id":4715,"date":"2017-12-13T10:24:15","date_gmt":"2017-12-13T13:24:15","guid":{"rendered":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/?p=4715"},"modified":"2017-12-13T10:24:15","modified_gmt":"2017-12-13T13:24:15","slug":"moradia-compartilhada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/moradia-compartilhada\/","title":{"rendered":"Moradia Compartilhada"},"content":{"rendered":"<p><em>Dividir moradia ou alugar quartos tem sido alternativa de jovens no Recife<\/em><\/p>\n<p>Por Arthur Ferraz<\/p>\n<p>Sair da casa dos pais e conquistar a independ\u00eancia financeira \u00e9 um longo processo de crescimento pessoal e profissional que requer, al\u00e9m de for\u00e7a de vontade, paci\u00eancia e planejamento. Por isso, \u00e9 comum, no in\u00edcio da carreira, as pessoas alugarem um im\u00f3vel compartilhado com amigos ou at\u00e9 desconhecidos para poder reduzir os gastos e, assim, juntar dinheiro at\u00e9 atingir o sonho da casa pr\u00f3pria. E num momento de crise econ\u00f4mica, tamb\u00e9m \u00e9 vantajoso para o propriet\u00e1rio disponibilizar um apartamento ou um quarto para aluguel como forma de adquirir uma renda extra durante o m\u00eas.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da administradora Alessandra Papini, de 43 anos, que desde 2013 tem alugado dois quartos do apartamento onde mora, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Para ela, que tem pais idosos, esse dinheiro ajuda a pagar as contas. \u201cMeu pai \u00e9 aposentado e ele e minha m\u00e3e t\u00eam problemas de sa\u00fade, ent\u00e3o [o aluguel] \u00e9 um incremento importante. Por enquanto estou sem alugar, porque est\u00e1 tendo um vazamento no pr\u00e9dio, o que altera extremamente a receita\u201d, conta.<\/p>\n<p>As vagas eram oferecidas s\u00f3 para mulheres e custavam R$ 500 e R$ 750 por m\u00eas, de acordo com o tamanho do c\u00f4modo. Os valores tamb\u00e9m inclu\u00edam estacionamento. \u201cAlugar um quarto \u00e9 muito mais simples e me d\u00e1 muito menos despesas do que se disponibilizasse um apartamento inteiro, porque toda a responsabilidade financeira de pagar condom\u00ednio, energia, IPTU, internet \u00e9 minha. E \u00e9 uma forma de controle, estou sempre l\u00e1 vendo se est\u00e3o usando de forma adequada. At\u00e9 hoje nunca tive problema com nenhuma h\u00f3spede\u201d, afirma.<\/p>\n<p>J\u00e1 para quem divide um apartamento, a economia \u00e9 uma grande vantagem. A produtora cultural Renata Farias, de 30 anos, que mora com a executiva de pr\u00e9-vendas Cleide Correia, de 28, diz que deixa de gastar, no m\u00ednimo, R$ 300 por m\u00eas s\u00f3 por compartilhar o im\u00f3vel. \u201cEm m\u00e9dia, cada uma banca de R$ 600 a R$ 700 mensais. Se f\u00f4ssemos morar sozinhas, certamente procurar\u00edamos lugares mais baratos e corte de gastos. Como dividimos as contas, alivia muito a nossa situa\u00e7\u00e3o e nos possibilita certos \u2018luxos\u2019\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>O contrato est\u00e1 no nome das duas amigas, que j\u00e1 dividiram outro im\u00f3vel antes. \u201cTivemos que juntar nossas rendas para poder dar entrada na imobili\u00e1ria e os fiadores s\u00e3o os meus pais. No outro apartamento, cheguei a pensar em morar s\u00f3 e decidi esperar um ano para que Cleide pudesse se organizar. Mas encontramos um apartamento maravilhoso, fiquei apaixonada por ele e disse que n\u00e3o sairia mais de jeito nenhum\u201d, recorda Renata.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 ainda maior para os que precisam se mudar para outra cidade onde n\u00e3o t\u00eam nenhum conhecido. Antes mesmo de achar um lugar, \u00e9 importante checar onde e em que condi\u00e7\u00f5es est\u00e1 sendo oferecido o im\u00f3vel para n\u00e3o ser enganado. No mercado, aplicativos e sites ajudam esse p\u00fablico a encontrar hospedagem ou moradia. Entre eles, est\u00e1 o Moove In, que re\u00fane pessoas que pretendem morar em um local compartilhado com base no perfil dos pretendentes tra\u00e7ado a partir de um question\u00e1rio online e ainda usa informa\u00e7\u00f5es coletadas nas redes sociais.<\/p>\n<p><strong>Compartilhar exige parceria<\/strong><br \/>\nNuma casa nova, sem a fam\u00edlia por perto, \u00e9 preciso sempre tomar cuidado para manter uma boa conviv\u00eancia com os outros moradores e evitar conflitos. Para que isso aconte\u00e7a, a psic\u00f3loga Juliana Santos, do Hospital Memorial Jaboat\u00e3o, defende que tanto o dono do im\u00f3vel quanto os novos inquilinos estabele\u00e7am regras que garantam o respeito m\u00fatuo entre eles. \u201cEu acho importante ter essas regras claras. Se na casa dos pais, com os irm\u00e3os, cada um tem sua personalidade e j\u00e1 gera conflitos, imagina pessoas que v\u00eam de fam\u00edlias diferentes?\u201d, questiona a especialista.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a profissional, para garantir um conv\u00edvio saud\u00e1vel, todos devem ter em mente pelo menos tr\u00eas palavras-chave: respeito, educa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. \u201cEsses s\u00e3o os principais pontos. Se um vai dormir ou estudar em determinado hor\u00e1rio, o outro deve fazer menos barulho nessa hora. Isso \u00e9 uma coisa que precisa ser acordada. Se for receber algu\u00e9m de fora, como um familiar, tem que haver comunica\u00e7\u00e3o para que as outras pessoas estejam cientes. Ou ent\u00e3o se estabelece desde o in\u00edcio a regra de n\u00e3o receber ningu\u00e9m\u201d, explica. Foi o que Alessandra Papini fez no apartamento dela. \u201cA gente tinha um acordo de conviv\u00eancia, principalmente em rela\u00e7\u00e3o a receber namorados e fazer festas. Se fosse receber algu\u00e9m, n\u00e3o ficava l\u00e1. Tem uma \u00e1rea comum, como a sala e a cozinha, mas se voc\u00ea fica muito tempo na sala, por exemplo, pode tirar a privacidade das outras pessoas. J\u00e1 aluguei para gente bem jovem e nunca aconteceu nada. Acabo fazendo novas amigas\u201d, afirma a administradora.<\/p>\n<p>A produtora cultural Renata Farias tamb\u00e9m acredita que o respeito \u00e0 individualidade do outro \u00e9 fundamental quando se divide um apartamento. \u201cN\u00f3s j\u00e1 vivemos juntas h\u00e1 um tempo, e isso nos possibilitou maior conhecimento, n\u00e3o s\u00f3 como amigas, mas tamb\u00e9m como pessoas. Pegamos o feeling uma da outra, respeitamos nossos espa\u00e7os e compartilhamos muitos momentos\u201d, conta.<\/p>\n<p>As duas fazem alguns acordos sobre a limpeza e as refei\u00e7\u00f5es. \u201cAntes de termos uma diarista, n\u00f3s divid\u00edamos os ambientes ou as fun\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m j\u00e1 tivemos o acordo \u2018gatos\/plantas\u2019, que estabelece o revezamento no cuidado com eles durante a semana\u201d, explica Cleide.<\/p>\n<p><strong>Dividir com responsabilidade<\/strong><br \/>\nPara diminuir ainda mais os custos e o valor do aluguel, alguns inquilinos resolvem chamar mais uma pessoa quando h\u00e1 um quarto vago. De acordo com o advogado Jos\u00e9 Almeida de Queiroz, consultor jur\u00eddico da Fecom\u00e9rcio-PE, essa pr\u00e1tica, conhecida como \u2018subloca\u00e7\u00e3o\u2019, est\u00e1 dentro da lei, mas s\u00f3 deve ser feita com o consentimento do propriet\u00e1rio do im\u00f3vel. Caso contr\u00e1rio, o contrato de subloca\u00e7\u00e3o pode ser anulado. \u201cO sublocat\u00e1rio assumir\u00e1 toda a responsabilidade em caso de eventuais danos ou descumprimento contratual\u201d, alerta.<\/p>\n<p>H\u00e1 quatro anos dividindo um apartamento com uma amiga, na Cidade Universit\u00e1ria, Zona Oeste do Recife, a jornalista Mar\u00edlia R\u00eago, com 21 anos, costuma abrigar outras pessoas para reduzir as despesas. \u201cNo come\u00e7o, veio uma menina de Limoeiro, que passou uns seis meses e depois foi morar em outro lugar. A gente ent\u00e3o passou um tempo sozinha at\u00e9 que chegou outra do Cear\u00e1. Ela ficou aqui at\u00e9 passar num concurso e indicou uma amiga, colombiana, que est\u00e1 morando com a gente agora\u201d, conta.<\/p>\n<p>De acordo com ela, apesar de n\u00e3o estar prevista originalmente no contrato a possibilidade de convidar outros inquilinos, o dono do apartamento sabe que h\u00e1 uma terceira pessoa na casa e nunca viu problema nisso. \u201cEle ajuda muito a gente, sempre vem aqui e pergunta se est\u00e1 precisando de alguma coisa. O contrato est\u00e1 no nome da minha m\u00e3e e n\u00e3o consta nada sobre quantas pessoas, isso \u00e9 a crit\u00e9rio da gente. Todo m\u00eas tem que pagar o aluguel, mas, independentemente disso, quantas pessoas quiser colocar a gente bota\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O advogado Jos\u00e9 Almeida de Queiroz ressalta, no entanto, a necessidade de se fazer um documento como forma de evitar complica\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, tanto nos casos de aluguel compartilhado quanto de subloca\u00e7\u00e3o. \u201cO importante \u00e9 ter a autoriza\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio porque, com ela, n\u00e3o h\u00e1 contesta\u00e7\u00e3o. Deve-se fazer o contrato indicando de forma clara e precisa o espa\u00e7o que est\u00e1 sendo cedido a cada participante. Tamb\u00e9m \u00e9 importante comprovar a regularidade<br \/>\nde cada compartilhado, perante os \u00f3rg\u00e3os oficiais, quanto \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es fiscais e trabalhistas, evitando, no futuro, medidas judiciais&#8221;, recomenda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dividir moradia ou alugar quartos tem sido alternativa de jovens no Recife Por Arthur Ferraz Sair da casa dos pais e conquistar a independ\u00eancia financeira \u00e9 um longo processo de crescimento pessoal e profissional que requer, al\u00e9m de for\u00e7a de vontade, paci\u00eancia e planejamento. 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