{"id":4629,"date":"2017-11-21T17:48:33","date_gmt":"2017-11-21T20:48:33","guid":{"rendered":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/?p=4629"},"modified":"2017-11-21T17:49:38","modified_gmt":"2017-11-21T20:49:38","slug":"uma-dose-de-tradicao-e-oportunidade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/fecomercio-pe.com.br\/site\/uma-dose-de-tradicao-e-oportunidade\/","title":{"rendered":"Uma dose de tradi\u00e7\u00e3o e oportunidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Forte representante da cultura pernambucana, a cacha\u00e7a traz grande potencial econ\u00f4mico em tempos de crise<\/em><\/p>\n<p>Por Mariana Mesquita<\/p>\n<p>Com 500 anos de hist\u00f3ria, a cacha\u00e7a \u00e9 um dos produtos mais tradicionais de Pernambuco. Apesar do tempo, o neg\u00f3cio segue em ascens\u00e3o mesmo no cen\u00e1rio de crise econ\u00f4mica. Segundo a diretora executiva da Associa\u00e7\u00e3o Pernambucana dos Produtores de Aguardente de Cana e Rapadura (Apar), Margareth Rezende, entre 2015 e 2016 houve um crescimento de 4% no volume de litros produzido no estado. Alguns dos produtores que se dedicam ao segmento de cacha\u00e7as superpremium, envelhecidas em barris de madeiras nobres e com maior valor de revenda, est\u00e3o inclusive ampliando seus parques industriais.<\/p>\n<p>Apesar do preconceito que muitos ainda sentem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 bebida, a cacha\u00e7a vem sendo cada vez mais valorizada e desperta o interesse de consumidores de dentro e de fora do pa\u00eds. O segmento \u00e9 visto como uma das \u00e1reas mais promissoras para rodadas de neg\u00f3cios. De fato, os dados levantados no \u201cEstudo sobre a Oportunidade de Feiras e Eventos de Neg\u00f3cios em Pernambuco\u201d mostram que o segmento de bebidas se destaca, junto com setores diversos como tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, economia criativa, desenvolvimento portu\u00e1rio, segmento f\u00e1rmaco qu\u00edmico, fruticultura irrigada, e mercados pet, fitness, de terceira idade e LGBT.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada em maio de 2017, atrav\u00e9s de parceria entre o Instituto Fecom\u00e9rcio-PE e o Sebrae-PE, com o apoio t\u00e9cnico-cientfico da empresa de consultoria CeplanMulti. Conforme aponta o estudo, feiras de neg\u00f3cios traduzem a busca por novos mercados e podem efetivamente beneficiar determinados segmentos da economia, trazendo oportunidades essenciais em meio \u00e0 recess\u00e3o. Para o economista Osmil Galindo, s\u00f3cio-diretor da CeplanMulti, a cacha\u00e7a \u00e9 \u201cum segmento com muito potencial, que vem atraindo inclusive o interesse de outras ind\u00fastrias de bebidas et\u00edlicas\u201d. Pernambuco tem um mercado peculiar, sendo \u201co \u00fanico estado que possui uma conviv\u00eancia extremamente harm\u00f4nica entre os grandes e pequenos produtores\u201d.<\/p>\n<p><strong>Uma hist\u00f3ria de amor e luta<\/strong><br \/>\nPernambuco apresenta algumas vantagens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a. A primeira delas, como aponta o engenheiro Jairo Martins (autor de \u201cCacha\u00e7a \u2013 O mais brasileiro dos Prazeres\u201d e outros livros sobre o tema), \u00e9 o clima quente e ensolarado, prop\u00edcio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de cana com maior teor de sacarose. Mas, at\u00e9 chegar ao atual posto de segundo maior produtor da bebida, houve percal\u00e7os, proibi\u00e7\u00f5es e at\u00e9 guerras. Aqui, em 1516, na feitoria de Itamarac\u00e1, come\u00e7ou-se a destilar essa aguardente que se tornaria s\u00edmbolo nacional. \u201c\u00c9 uma bebida que possui uma grande riqueza de tradi\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0 chegada dos portugueses ao Brasil. O processo de destila\u00e7\u00e3o surge a partir do s\u00e9culo X, atrav\u00e9s de alquimistas \u00e1rabes, e Pernambuco \u00e9 o primeiro ponto onde se desenvolveu o cultivo tropical de origem europeia\u201d, especifica Gilberto Freyre Neto, que \u00e9 coordenador de projetos da Funda\u00e7\u00e3o Gilberto Freyre e membro da Apar. Na Europa, era comum a ingest\u00e3o de destilados para \u201cproteger\u201d o corpo antes das jornadas de trabalho. O costume foi trazido para as col\u00f4nias e pode ser a raiz da vis\u00e3o negativa que perdurou por muitos anos, tratando a cacha\u00e7a como bebida inferior e consumida por escravos, criando o estigma pejorativo do \u201ccachaceiro\u201d.<\/p>\n<p>Apesar da origem humilde, a cacha\u00e7a foi ganhando espa\u00e7o; tanto que, em 1649, a Coroa Portuguesa proibiu sua comercializa\u00e7\u00e3o (porque concorria com o vinho e a aguardente bagaceira, importados da Europa). A produ\u00e7\u00e3o passou a ser clandestina e o impedimento estimulou um sentimento nacionalista: na Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana de 1817, a cacha\u00e7a foi um dos s\u00edmbolos da luta contra o dom\u00ednio portugu\u00eas, e os intelectuais e artistas da Semana de Arte Moderna de 1922, em S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m recorreram \u00e0 bebida como marca da identidade nacional.<\/p>\n<p>\u201cTodo brasileiro precisa ter na sua casa uma garrafa de cacha\u00e7a branca, para fazer caipirinha, e uma armazenada ou envelhecida, para se tomar pura. Devemos oferecer cacha\u00e7a \u00e0s visitas com muito orgulho, principalmente \u00e0s visitas estrangeiras. Infelizmente esta \u00e9 uma lacuna cultural que temos e \u00e9 necess\u00e1rio mudar de atitude\u201d, conclama Jairo Martins.<\/p>\n<p><strong>Pernambuco trabalha para ampliar a exporta\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nDepois de acompanhar os altos e baixos da constru\u00e7\u00e3o sociocultural do Brasil, a cacha\u00e7a definitivamente ocupou seu espa\u00e7o. Os dados n\u00e3o s\u00e3o fi\u00e9is \u00e0 realidade, porque h\u00e1 um grau de informalidade muito grande, especialmente nos estados de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais. Mas o n\u00famero de litros de cacha\u00e7a legalizada, produzidos no pa\u00eds atualmente se encontra na casa dos 800 milh\u00f5es. O n\u00famero \u00e9 expressivo, contudo d\u00e1 conta do quanto \u00e9 preciso desbravar o mercado exterior: apenas 8,3 milh\u00f5es de litros s\u00e3o vendidos a outros pa\u00edses, o que representa cerca de 1% de nossa produ\u00e7\u00e3o. Desse total, 27,25% s\u00e3o enviados para a Alemanha.<\/p>\n<p>\u201cA exporta\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a \u00e9 muito t\u00edmida e temos muito espa\u00e7o para crescer\u201d, alerta Margareth Rezende, da Apar. Ela tra\u00e7a uma compara\u00e7\u00e3o entre a cacha\u00e7a e a tequila. \u201cNo M\u00e9xico, se exporta entre 40 e 50% da produ\u00e7\u00e3o de tequila\u201d, aponta. Nosso vizinho latino-americano est\u00e1 colhendo os frutos de um amplo projeto setorial iniciado ainda nos anos 1960. \u201cOs mexicanos defendem a tequila, sua bebida tradicional. Toda a cadeia veste a camisa. Se voc\u00ea entra num bar, os gar\u00e7ons imediatamente lhe oferecem uma margarita. Aqui, se voc\u00ea pede uma cacha\u00e7a num restaurante fino, ainda v\u00e3o olh\u00e1-lo com espanto. E n\u00e3o \u00e9 culpa deles. J\u00e1 ouvi um funcion\u00e1rio de hotel contando que tinha recebido v\u00e1rios treinamentos de vinho e nenhum de cacha\u00e7a\u201d, critica Margareth.<\/p>\n<p>Para ela, este \u201c\u00e9 um gargalo que precisamos vencer e que vai levar longos anos\u201d. \u201cO mercado \u00e9 dif\u00edcil, tem muitas barreiras t\u00e9cnicas e tarif\u00e1rias. \u00c9 essencial ter apoio dos \u00f3rg\u00e3os governamentais e n\u00e3o-governamentais\u201d, acrescenta. Pioneiro tamb\u00e9m no ramo de exporta\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a, a Pit\u00fa iniciou o processo no pa\u00eds, fazendo o primeiro embarque para a Alemanha nos anos 1970. Pernambuco atualmente est\u00e1 ligeiramente melhor que o pa\u00eds como um todo. Em 2015, exportou cerca de 2,2 milh\u00f5es de litros de cacha\u00e7a e em 2016, 2,3 milh\u00f5es. Como a produ\u00e7\u00e3o local supera os cem milh\u00f5es de litros, com destaque para a Pit\u00fa, o fato \u00e9 que mais de 90% da produ\u00e7\u00e3o v\u00eam ficando restritas ao mercado nacional.<\/p>\n<p><strong>Associa\u00e7\u00e3o amplia visibilidade da produ\u00e7\u00e3o local<\/strong><br \/>\nAtrav\u00e9s da Apar, que congrega seis produtores locais (Pit\u00fa, Carvalheira, Sanha\u00e7u, Engenho \u00c1gua Doce, Triumpho e Quilombo), vem sendo realizado um amplo trabalho de divulga\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a, o que inclui campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o acerca do consumo moderado, para que a bebida seja prazer e n\u00e3o v\u00edcio. \u201cQueremos promover o reposicionamento da cacha\u00e7a no patamar que ela merece, competindo com os melhores destilados do mundo\u201d, resume Margareth Rezende, que entre 2012 e 2016 chegou a presidir a C\u00e2mara Setorial da Cadeia Produtiva de Cacha\u00e7a, f\u00f3rum que funciona dentro do Minist\u00e9rio da Agricultura, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>O trabalho de formiguinha inclui a constru\u00e7\u00e3o de uma carta da cacha\u00e7a pernambucana (que traz uma base hist\u00f3rica e lista as empresas do estado), treinamentos (voltados para sommeliers, chefs de cozinha, gar\u00e7ons e outros profissionais) atrav\u00e9s de parcerias com restaurantes e hot\u00e9is, nos quais s\u00e3o abordados desde a hist\u00f3ria, at\u00e9 as caracter\u00edsticas do produto e o modo de servir e eventos de degusta\u00e7\u00e3o. Durante a Copa do Mundo de 2014 e as Olimp\u00edadas de 2016, a entidade promoveu a\u00e7\u00f5es junto ao complexo hoteleiro e participou de um projeto junto com a Casa da Alemanha, servindo 7 mil caipirinhas e mil doses de cacha\u00e7a envelhecida. Junto com o sorvete de a\u00e7a\u00ed, a cacha\u00e7a pernambucana foi o \u00fanico produto brasileiro servido aos atletas, \u00e0 imprensa e aos demais convidados alem\u00e3es que frequentaram o espa\u00e7o.<\/p>\n<p>A Apar tamb\u00e9m fornece suporte a seus associados, no sentido de consolidar e melhorar a produ\u00e7\u00e3o. Um exemplo disso aconteceu quando a Sanha\u00e7u lan\u00e7ou sua cacha\u00e7a premium envelhecida em barris de madeira umburana. A ideia foi de Jairo Martins, membro benem\u00e9rito e consultor da Apar. Sommelier, pesquisador e professor no Senac Anhembi Morumbi, em S\u00e3o Paulo, e na escola de gastronomia alem\u00e3 da M\u00fcnchner Volkshochschule, em Munique, Jairo \u00e9 especialista em harmonizar a bebida com pratos variados. \u201cEnquanto outros destilados s\u00e3o envelhecidos apenas em ton\u00e9is de carvalho, a cacha\u00e7a pode ser armazenada em 30 tipos de madeiras diferentes, abrindo um leque de op\u00e7\u00f5es para harmonizar com comidas\u201d, explica ele.<\/p>\n<p>A gerente comercial da Sanha\u00e7u, Elk Barreto Silva, confessa que a empresa no in\u00edcio resistiu \u00e0 proposta. \u201cA gente n\u00e3o queria diversificar naquele momento e s\u00f3 resolvemos produzir quando ele aceitou assinar nosso r\u00f3tulo\u201d, relembra. Adocicada e com leve sabor de canela, a Sanha\u00e7u Umburana \u00e9 perfeita para ser degustada junto com nosso bolo de rolo e outras sobremesas. A dica certeira de Jairo Martins j\u00e1 rendeu 14 pr\u00eamios \u00e0 Sanha\u00e7u, entre eles o Concurso Mundial de Bruxelas (2014, 2015, 2016 e 2017) e o duplo ouro no Concurso Mundial de Destilados da China (2015).<\/p>\n<p><strong>Espa\u00e7o para pequenos e grandes<\/strong><br \/>\nO mercado pernambucano congrega produtores de diversas escalas \u2013 da Pit\u00fa, grande ind\u00fastria que comercializa anualmente cerca de 95 milh\u00f5es de litros, \u00e0 Sanha\u00e7u, que produz apenas 20 mil litros no mesmo per\u00edodo. \u201cA nossa qualidade nos diferencia do resto do Brasil, e um fato importante \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 canibalismo entre marcas. As empresas n\u00e3o brigam entre si\u201d, diz Gilberto Freyre Neto. \u201cH\u00e1 uma boa conviv\u00eancia entre as cacha\u00e7as industriais e artesanais, uma n\u00e3o tira o mercado da outra\u201d, concorda Jairo Martins.<\/p>\n<p><strong>Qual a diferen\u00e7a entre cacha\u00e7a e aguardente<\/strong><br \/>\nToda cacha\u00e7a \u00e9 uma aguardente, mas nem toda aguardente \u00e9 cacha\u00e7a. As aguardentes podem ser obtidas a partir da destila\u00e7\u00e3o de diversos vegetais, como cereais, ra\u00edzes e frutos. Entre as diversas aguardentes que existem no mundo, podemos lembrar a italiana grappa (de uva), o japon\u00eas saqu\u00ea (de arroz), o liban\u00eas arak (de uvas e anis) e o rum cubano (de cana), entre centenas de exemplos.<\/p>\n<p>A cacha\u00e7a \u00e9 uma aguardente de cana-de-a\u00e7\u00facar com gradua\u00e7\u00e3o alc\u00f3olica de 38% a 48%, obtida a 20 graus Celsius pela destila\u00e7\u00e3o do mosto fermentado de cana de a\u00e7\u00facar. Caso n\u00e3o atenda a esses requisitos (apresentando, por exemplo, maior ou menor teor alc\u00f3olico), a bebida s\u00f3 poder\u00e1 ser comercializada como aguardente de cana.<\/p>\n<p><strong>Nomenclatura das cacha\u00e7as<\/strong><br \/>\nCacha\u00e7a industrial: produzida em larga escala com cana de a\u00e7\u00facar, cultivada em grandes \u00e1reas. Utiliza fermenta\u00e7\u00e3o por meio de produtos qu\u00edmicos. Geralmente \u00e9 obtida atrav\u00e9s da destila\u00e7\u00e3o sim- ples em coluna cont\u00ednua em ton\u00e9is de a\u00e7o inox. N\u00e3o separa a parte nobre do destilado.<\/p>\n<p>Cacha\u00e7a artesanal (de alambique): feita em escala reduzida por pequenos produtores, \u00e9 obtida pela destila\u00e7\u00e3o em alambique de cobre. A fermenta\u00e7\u00e3o ocorre de forma natural e a parte nobre da cacha\u00e7a \u00e9 separada das impurezas, para dar mais qualidade ao produto.<\/p>\n<p>Cacha\u00e7a org\u00e2nica: geralmente, trata-se de uma cacha\u00e7a artesanal, que est\u00e1 livre de agrot\u00f3xicos e outras subst\u00e2ncias qu\u00edmicas durante todo o seu processo de produ\u00e7\u00e3o. Assim, o produto \u00e9 ambientalmente respons\u00e1vel e sustent\u00e1vel. Para ser considerada org\u00e2nica, a empresa precisa obter uma s\u00e9rie de certifica\u00e7\u00f5es. No Brasil, dentro de um universo de aproximadamente 4 mil marcas registradas, apenas 40 s\u00e3o org\u00e2nicas. No momento, a \u00fanica cacha\u00e7a org\u00e2nica pernambucana \u00e9 a Sanha\u00e7u.<\/p>\n<p><strong>Confira alguns exemplos de nossas marcas<\/strong><br \/>\nPit\u00fa<br \/>\nFundada em 1938, no munic\u00edpio de Vit\u00f3ria, a empresa \u00e9 l\u00edder de mercado e se tornou uma das maiores ind\u00fastrias de bebida do Brasil. Integra o ranking das 20 marcas de bebidas destiladas mais produzidas no mundo. Al\u00e9m da cacha\u00e7a tradicional, a Pit\u00fa vem investindo no segmento de cacha\u00e7as envelhecidas premium (Pit\u00fa Gold) e superpremium (Vitoriosa). \u00c9 a empresa que mais exporta cacha\u00e7a no Brasil. Entre as novidades,se destaca a cacha\u00e7a Vitoriosa, envelhecida por no m\u00ednimo cinco anos em barris de carvalho franc\u00eas e apresentando qualidade sensorial aprimorada, com aromas e cores refinados e produ\u00e7\u00e3o em pequena escala, configurando-se como um produto-conceito dessa marca tradicional pernambucana.<\/p>\n<p>Carvalheira<br \/>\nCriada em 1995 por Oct\u00e1vio Pinto Carvalheira e seu filho Eduardo, a empresa recifense tem uma marca bem-consolidada e vem promovendo parcerias com distribuidores e representantes em outros estados. Um de seus grandes diferenciais \u00e9 o parque industrial de barris de carvalho, que \u00e9 um dos maiores do Brasil. Nos alambiques de envelhecimento da Carvalheira, a cacha\u00e7a descansa por cinco ou doze anos, dentro do processo de envelhecimento superpremium. Atualmente, a produ\u00e7\u00e3o anual da Carvalheira \u00e9 de 150 mil litros e existe a inten\u00e7\u00e3o de iniciar em breve a exporta\u00e7\u00e3o de seus produtos. A sede da Cacha\u00e7aria Carvalheira, no bairro da Imbiribeira, tamb\u00e9m \u00e9 muito conhecida como ponto de visita\u00e7\u00e3o tur\u00edstica e se tornou um disputado espa\u00e7o de eventos na cidade do Recife.<\/p>\n<p>Sanha\u00e7u<br \/>\nCriada em 2000, a empresa \u00e9 considerada pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas como uma das doze micro e pequenas empresas mais sustent\u00e1veis do Brasil. \u00c9 a \u00fanica pernambucana a produzir cacha\u00e7a org\u00e2nica certificada. Tem uma produ\u00e7\u00e3o pequena, de cerca de 20 mil litros anuais, que em breve devem se expandir para, no m\u00e1ximo, 50 mil. Trabalha com bebidas envelhecidas em tr\u00eas tipos de barris (freij\u00f3, carvalho e umburana), com uma gama de 13 produtos entre miniaturas e tipos de garrafa. Segundo a gerente comercial Elk Barreto Silva, a Sanha\u00e7u acaba de fazer sua primeira exporta\u00e7\u00e3o oficial este m\u00eas, enviando cem garrafas para a \u00c1ustria. \u201cMas j\u00e1 me mandaram fotos de card\u00e1pios dos Estados Unidos e da Austr\u00e1lia, onde vendem cada dose de Sanha\u00e7u a 15 d\u00f3lares. Eles sabem que somos biscoito fino\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Triumpho<br \/>\nCriada em 2001 pelo empres\u00e1rio Pedro Oliveira, a cacha\u00e7a homenageia Triunfo, sua cidade de origem, localizada no sert\u00e3o pernambucano e com grande fluxo de turistas. O engenho S\u00e3o Pedro, onde a pequena f\u00e1brica est\u00e1 instalada, fica numa regi\u00e3o onde tradicionalmente se costumava produzir cacha\u00e7a, rapadura e mel de engenho. Pedro controla a produ\u00e7\u00e3o do plantio ao engarrafamento, em parceria com 13 pequenos produtores de cana e produz uma bebida ecologicamente correta, n\u00e3o fazendo queimadas na ro\u00e7a e evitando uso de defensivos qu\u00edmicos. A Triumpho fabrica apenas 20 mil litros de cacha\u00e7a por ano, divididos em tradicional e premium e ainda n\u00e3o tem planos de exportar seus produtos, por conta da reduzida escala produtiva. Apesar de pequena, \u00e9 grande na qualidade e j\u00e1 recebeu uma medalha de prata no Concurso Mundial de Bruxelas, em 2011. No complexo tur\u00edstico, que inclui uma pousada e um parque aqu\u00e1tico, ele recebe visitantes para usufruir de degusta\u00e7\u00e3o e forr\u00f3 p\u00e9-de-serra.<\/p>\n<p>Engenho \u00c1gua Doce<br \/>\nFundada em 2003 por M\u00e1rio Ramos Andrade Lima Filho, no munic\u00edpio de Vic\u00eancia, a cacha\u00e7a artesanal divide espa\u00e7o com outros produtos t\u00edpicos de cana de a\u00e7\u00facar, como a rapadura, o mel de engenho e os licores. M\u00e1rio controla toda a cadeia produtiva, do plantio ao engarrafamento da bebida e est\u00e1 ampliando seus pontos de distribui\u00e7\u00e3o em 12 estados brasileiros. Anualmente, cerca de 30 mil litros de cacha\u00e7a s\u00e3o produzidos pela empresa, dividos nos segmentos prata, ouro e premium. O Engenho \u00c1gua Doce funciona tamb\u00e9m como equipamento tur\u00edstico, recebendo visitantes que podem conhecer as etapas de produ\u00e7\u00e3o dos produtos e fazem degusta\u00e7\u00e3o, ao final.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Forte representante da cultura pernambucana, a cacha\u00e7a traz grande potencial econ\u00f4mico em tempos de crise Por Mariana Mesquita Com 500 anos de hist\u00f3ria, a cacha\u00e7a \u00e9 um dos produtos mais tradicionais de Pernambuco. Apesar do tempo, o neg\u00f3cio segue em ascens\u00e3o mesmo no cen\u00e1rio de crise econ\u00f4mica. 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